Videodança para crianças: oficina gratuita

Novidade bacanérrima chegando na área! Em pouco mais de uma semana começaremos nossa linda oficina pela Sapato Florido. A proposta, voltada para crianças de 09 a 12 anos, tem por objetivo explorar elementos básicos da videodança, visando a criação de um trabalho final em coletivo. Nesse sentido, experimentar os diálogos possíveis entre vídeo e dança através de todas as etapas do processo: coreografia, filmagem, edição, e finalização.

Duração: 3 meses

Lançamento do livro “Pequenices: dança, corpo e educação” em Portão/RS

Vem chegando mais um lançamento do livro “Pequenices: dança, corpo e educação”, dessa vez na Semana Cultural de Portão/RS! Será no dia 29/05, iniciando às 13h30 com Oficina de Dança para Professores e, em seguida, distribuição de 70 exemplares com sessão de autógrafos. A programação é gratuita!

Fotografia: Joseane Bertoncello
Registro do 1º lançamento
POA/RS Centro Municipal de Cultura

Pequenices: minipeça viajante de dança

Oba!!! Mais uma ação do projeto Pequenices entra em cena: é a primeira temporada da minipeça viajante de dança, voltada para crianças dos 06 aos 10 anos. Confere a sinopse logo abaixo e as informações no cartaz, deixa a agenda na mão e não perde essa aventura por nada nesse mundo!!! Os ingressos são limitados e podem ser adquiridos antecipadamente na Loja Sírius (R. da República, 304) ou 1h antes no local da apresentação.

Para viajar não é preciso ir muito longe, mas viajar sem sair do lugar? Sim, todo mundo pode, até quem já perdeu o bonde! Mas espere! E preste bastante atenção! Em nossa pequenina aventura é preciso ter coragem, só assim a gente consegue cumprir a missão. Desbravar caminhos, inventar histórias, vencer perigos, colecionar vitórias… Uma jornada cheinha de dança, que desafia a imaginação, é brincadeira de criança… Um combustível para a fabulação. Nosso percurso vai colocar o corpo a mover. Como se muito precisasse, né? A gente adora se mexer. Somos pequenos e pequenas, e somos fortes, arteiros e arteiras. Criar é nosso ofício, a nossa vida é movimento. Pois não nos peça para parar, nem que seja por um momento.

Pequenices é uma peça de dança voltada para público infantil que nasce de uma intensa e potente convivência com as crianças. Nossos encontros, destinados à experimentação com dança, foram matéria e inspiração para este trabalho que agora se concretiza. O tema “viagem” é o mote que conduz a apresentação e, como um jogo, a proposta convida as crianças a literalmente “viajar nessa dança”, ou seja, os pequenos e pequenas tornam-se espectadores protagonistas da peça. Adultos e acompanhantes compõem a plateia e apreciam. De preferência, sem moderação.

Ficha técnica

Que pergunta é essa?

Bagunça. A gente em meio a uma brincadeira. Inventada. Em tempo real.
Caos. A gente mergulhada no experimento. Era tudo possibilidade. No agora.

Tinha muito barulho. Tinha. Tinha muito movimento. Tinha. Tinha muita paixão. Tinha.

Qualquer um que visse, desavisado, pensaria com direito: que loucura!
E por isso eu esperava.

O que eu não esperava era ouvir isso de uma das meninas:
“FÊ, COMO É QUE TU NOS AGUENTA?”

E por mais bem-humorada que tenha sido dita essa frase, foi impossível não me colocar a pensar sobre a bagagem que ela trazia consigo.

Aguentar? O que fez ela pensar que, para mim, aquele momento estava sendo um sacrifício?
Por que um momento de pura invenção e envolvimento soa negativamente num espaço educativo?
A construção do modelo de um bom aluno já deteriora, desde tão cedo, outros modos possíveis de se habitar esse espaço? Seriam essas as atitudes de um mau aluno?
E a imagem do professor? Tão rápido já se faz acreditar no professor que precisa suportar os seus alunos? No professor que diz “não” a toda e qualquer coisa que possa parecer que saiu do seu controle? Dizer sim é sinônimo de precisar aturar uma bagunça?
O professor está acima de seus alunos? Quem é o professor? Quem o aluno acredita ser seu professor?
As crianças mesmas já tomam aquilo que vem delas como menos? Pensam que suas iniciativas devem ser negadas, apoucadas?

Para ela, eu respondi simplesmente “Que pergunta é essa?”, com um sorriso.
“Eu adoro vocês e adoro o que fazem.”
Me arrependo de não ter dito o quanto eu acredito também na potência da bagunça, nessa possibilidade de mergulhar fundo em algo que não se sabe onde vai dar, de se envolver, dizer sim. Olhar para o outro, trocar. Experimentar.
Fotografia: Martha Reichel Reus

Colocar a mover ou Ato de residência artística Baiana com Jorge e Neto

Se eu pensar a dança de uma forma mais tradicional, eu me dou conta de que ela está sendo o que menos importa nesse projeto. Mas é claro que, se eu penso na dança como potência para criação, como potência de vida, ela é de fato o que move essa proposta.

Fer, e o que você sente que realmente te importa?

Eu vejo que me faz brilhar o olho realmente é essa possibilidade, esse espaço possível de experimentação e convivência com as crianças, mais ainda, quem eu me torno nessa convivência.

COMO COREOGRAFAR A CONVIVÊNCIA COM AS CRIANÇAS?

Como não reduzir a complexidade da experiência e dar a ver o especifico do que foi desenvolvido? Como potencializar a singularidade dessa proposta?

“Pequenices” parte de encontros de dança com crianças para a então criação de uma peça de dança voltada para o público infantil. Mas como? Muitos “como” surgiram nesses intensos dias de residência com Jorge Alencar e Neto Machado, dois artistas incríveis com os quais tive a honra de compartilhar meu processo. Digerir suas provocações, confesso, não foi tarefa fácil. Colocar a mover dessa forma, é coisa!

Listo abaixo alguns tópicos abordados na residência:

  • Peça para crianças verem X peça com crianças X peça para mover as crianças
  • A fala como dispositivo para a coreografia
  • Que coreografia?
  • Infância para além de uma fase cronológica

img_20160713_212002DCIM101GOPRO                bisnaga

Do verbo criançar

Se eu pudesse, transformava criança em verbo. E saía criançando tudin por aí. Imagina só? Ou melhor, o que mais você conseguiria fazer seria imaginar…

Uma vez criançado, um monte de “era uma vez”. Seu pensamento feito panela de pipoca, a estourar um zilhão de ideias. Todas possíveis. Sabia que pra uma ideia criançada, não existe o impossível?

Por que criança não é verbo se criança é movimento?

Pra cada problema, criançaria uma solução. Pra cada descuido, crianço um afago. Pra cada desinteresse, criancei uma investigação.

Se eu pudesse, me transformava em uma Criançadora. Tipo profissão mesmo, saca? Graduação em Criançaria.

Criançar tem a ver com explorar, experimentar, inventar. Brincar a vida.

Encontro de Dança com Crianças

Na foto, da esquerda para a direita: Mari, Frida, Ange, Arthur, Sofia, Gabi e Helena. Nosso 6º encontro de dança.

O futuro como emergência de fabulação

Falar sobre o futuro é falar sobre o que não se sabe.
Falar sobre o que se espera? Deseja? Projeta? Pensar no que vem depois do agora pode ser um simples exercício de traçar rotas para atingir objetivos. Pode. Mas.

Futuro que criança vê é emergência para a fabulação.
Falar sobre o futuro é falar sobre o que não se sabe. É falar sobre possibilidades.
Falar sobre o futuro é falar sobre o que não se sabe. E, se eu não sei, eu invento.

Vai ser quando os robôs dominarem a Terra, e os humanos nem vão mandar em mais nada. Não, quando os ET’s invadirem o planeta. Vai vir um meteoro. Já seremos fantasmas. Ou múmias. É, múmias. E se tiverem zumbis? Não, já estaremos vivendo em um universo paralelo. Eu acho que a gente vai morrer e vai para um céu cheio de tecidos pendurados. Uma cidade branca, com tecidos coloridos. Daqui cinco, cinco bilhões de anos.

E olha que eu só estava reclamando dos tapumes na orla da Usina do Gasômetro.
Fecharam nosso pôr do sol.
Eu só queria que não demorasse muito para abrirem de volta. Mas vai demorar. Eu sei que vai. Será que vai demorar demais?

 

Conheci a Manu

Nas férias, eu conheci a Manu. Simpática que só. A gente se deu “Bom dia!” no café da manhã da pousada… Foi a porta de entrada para um longo e bom papo. Ali, aqueles minutos que compartilhamos na nossa primeira refeição do dia, foram suficientes para a gente descobrir que tínhamos muitas coisas em comum, como, por exemplo, a paixão pela praia, pela dança e pelos animais. Ela me contou como estava aproveitando os dias por lá e sobre seu dilema do momento: “ainda não sei se vou de biquíni ou maiô hoje para a beira…” Mas o maiô que ela estava usando era lindo demais, sugeri que não trocasse. Voltando para os nossos quartos, ainda, nesse caminho, deu tempo de ela me ensinar um lindo movimento de dança que sabia, de socorrermos um gafanhoto machucado e de combinarmos de nos encontrar mais tarde junto ao mar.

Pronto, já havíamos conquistado uma amizade.

A avó da Manu, que acompanhava nossa conversa de longe, não se conteve e precisou me perguntar: “tu é professora?” Eu, estufando o peito de orgulho, respondi: “sou sim.” – Aaah, é claro, eu esqueci de explicar para vocês esse detalhe, a Manu, minha melhor amiga do verão, tem 4 anos.  – Sim, sim, sou professora. E minha primeira reação foi essa mesmo… Nossa, que legal ela perceber!!!

No entanto, logo em seguida, essa situação me colocou a pensar. Eu não estava dando aula no café da manhã, eu estava, da forma mais singela, trocando uma ideia com a Manu. O que fez ela acreditar que esse era então meu ofício? Num mundo que, em geral, divide – e discrimina – as pessoas pela sua idade, quer dizer que o interesse de um adulto por uma criança é apenas “científico”? Pena pensar que para uma grande parcela a resposta pode ser sim.

Ser professora não constitui meu modo de me relacionar com xs pequenxs. Meu modo de me relacionar com xs pequenxs é que constitui o meu fazer professoral.

ovo e Fê 002