Conheci a Manu

Nas férias, eu conheci a Manu. Simpática que só. A gente se deu “Bom dia!” no café da manhã da pousada… Foi a porta de entrada para um longo e bom papo. Ali, aqueles minutos que compartilhamos na nossa primeira refeição do dia, foram suficientes para a gente descobrir que tínhamos muitas coisas em comum, como, por exemplo, a paixão pela praia, pela dança e pelos animais. Ela me contou como estava aproveitando os dias por lá e sobre seu dilema do momento: “ainda não sei se vou de biquíni ou maiô hoje para a beira…” Mas o maiô que ela estava usando era lindo demais, sugeri que não trocasse. Voltando para os nossos quartos, ainda, nesse caminho, deu tempo de ela me ensinar um lindo movimento de dança que sabia, de socorrermos um gafanhoto machucado e de combinarmos de nos encontrar mais tarde junto ao mar.

Pronto, já havíamos conquistado uma amizade.

A avó da Manu, que acompanhava nossa conversa de longe, não se conteve e precisou me perguntar: “tu é professora?” Eu, estufando o peito de orgulho, respondi: “sou sim.” – Aaah, é claro, eu esqueci de explicar para vocês esse detalhe, a Manu, minha melhor amiga do verão, tem 4 anos.  – Sim, sim, sou professora. E minha primeira reação foi essa mesmo… Nossa, que legal ela perceber!!!

No entanto, logo em seguida, essa situação me colocou a pensar. Eu não estava dando aula no café da manhã, eu estava, da forma mais singela, trocando uma ideia com a Manu. O que fez ela acreditar que esse era então meu ofício? Num mundo que, em geral, divide – e discrimina – as pessoas pela sua idade, quer dizer que o interesse de um adulto por uma criança é apenas “científico”? Pena pensar que para uma grande parcela a resposta pode ser sim.

Ser professora não constitui meu modo de me relacionar com xs pequenxs. Meu modo de me relacionar com xs pequenxs é que constitui o meu fazer professoral.

ovo e Fê 002

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